Glossário·Lugares
PatmosPatmos: PÁT-mos
Patmos é a ilha rochosa do mar Egeu, hoje grega, onde João estava exilado quando recebeu as visões do livro do Apocalipse.
Patmos é uma ilha pequena e rochosa do mar Egeu, com cerca de 34 quilômetros quadrados — dá para atravessá-la a pé em algumas horas. Não tem rio, quase não tem terra de plantio, e fica a uns 70 quilômetros da costa da atual Turquia, de frente para as cidades gregas da Ásia Menor. Roma usava ilhas assim para o degredo: não era cela nem trabalho forçado, era exílio administrativo, com liberdade de andar pela ilha e proibição de sair dela. É o lugar onde João diz estar quando recebe as visões que viraram o último livro da Bíblia. Hoje é território grego, com uns três mil moradores.
Onde aparece na Bíblia
A ilha é nomeada uma única vez em toda a Bíblia, e quem escreve se apresenta sem título nenhum: "Eu, João", "companheiro na aflição", "estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e por causa do testemunho de Jesus Cristo" (Apocalipse 1:9). Não diz quanto tempo ficou nem quem o mandou para lá.
O que vem depois começa num domingo qualquer de quem não tem o que fazer: "No dia do Senhor, eu fui arrebatado em espírito" (Apocalipse 1:10). E a primeira ordem que ele recebe é de trabalho, não de êxtase: "O que tu estás vendo, escreve em um livro, e envia às sete igrejas" (Apocalipse 1:11) — sete cidades no continente, num circuito que um portador cobria a pé, de Éfeso a Laodiceia.
No fim do livro está a frase que mais se lê em velório no Brasil: "não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem mais haverá dor" (Apocalipse 21:4).
Por que isso importa hoje
O livro mais assustador da Bíblia foi escrito por alguém isolado numa ilha, longe das comunidades que estava tentando encorajar. Isso reordena a leitura: Apocalipse não nasceu como manual de previsão para quem tem tempo livre, e sim como carta de um homem afastado à força, escrevendo para gente com medo em sete cidades. A palavra em si também mudou de sentido no caminho. Apocalipse, em grego, quer dizer revelação, desvelamento, tirar o que cobre; em português virou sinônimo de catástrofe. O nome do livro anuncia que algo será mostrado, não que algo vai explodir. E quem já ficou internado, detido, ou apenas longe de casa sem poder voltar, sabe o que é ter muito a dizer e nenhum jeito de chegar perto.