Glossário·Lugares
Babilônia
Babilônia era a maior cidade do mundo antigo, no atual Iraque, para onde Judá foi deportada — e, no Apocalipse, o símbolo de um poder que cai.
Babilônia era a maior cidade do mundo no século sexto antes de Cristo: dezenas de quarteirões cercados por muralha dupla às margens do Eufrates, no que hoje é o centro-sul do Iraque, a pouco mais de cem quilômetros de Bagdá. Tinha canal de irrigação, tamareira, cevada, um zigurate de tijolo cozido e um portão revestido de esmalte azul. Foi para lá que Nabucodonosor levou a elite de Jerusalém depois de destruir a cidade e o templo — mil e quinhentos quilômetros a pé pela curva do Crescente Fértil, porque o deserto no meio não se atravessa. Hoje são ruínas escavadas; nenhuma cidade viva ocupa o lugar.
Onde aparece na Bíblia
O relato da deportação é seco e administrativo, escrito como relatório. Depois da queda de Jerusalém, o oficial babilônico recolhe quem sobrou: "aos do povo que haviam restado na cidade" foram levados, e a Bíblia Livre usa o verbo transportar onde outras versões dizem levar cativo — "transportou-o Nebuzaradã, capitão dos da guarda" (2 Reis 25:11).
O que aconteceu depois virou um dos salmos mais citados do mundo: "Junto aos rios da Babilônia nos sentamos e choramos, enquanto nos lembramos de Sião" (Salmos 137:1). Rios no plural, porque a cidade era cortada de canais.
E há a carta de Jeremias aos deportados, que não manda resistir nem se isolar: "E buscai a paz da cidade para onde eu vos levei, e orai por ela ao SENHOR; porque na paz dela vós tereis paz" (Jeremias 29:7). Muito depois, o Apocalipse usa o mesmo nome de outro jeito, dentro de uma visão: "Caiu! Caiu a grande Babilônia" (Apocalipse 18:2).
Por que isso importa hoje
Babilônia é a palavra que a Bíblia usa para exílio: perder a cidade, o templo, a língua da rua, e ter de criar filho em lugar que não é seu. Daniel foi levado adolescente e fez carreira dentro do governo do império que o levou — as duas coisas ao mesmo tempo, sem escolher uma. É por isso que a instrução de Jeremias incomoda até hoje: orar pela paz da cidade que te deportou não é resignação nem revanche, e não tem nome bonito em português.
Não confunda
A Babilônia dos reis e a Babilônia do Apocalipse funcionam de modos diferentes. A primeira tem tijolo, rio e data: é a cidade de Nabucodonosor, onde Judá passou setenta anos. A segunda é imagem dentro de uma visão, e o texto de Apocalipse não diz de que cidade ou instituição está falando. Leitores de tradições diferentes apontam alvos diferentes, e este glossário não escolhe nenhum.
Babilônia e Babel são a mesma palavra em hebraico, Bavel. A história da torre está no Gênesis e é muito anterior ao império. O português separou as duas em nomes distintos; o hebraico, não.