Glossário·Práticas e festas
Páscoa judaica
A Páscoa judaica é a festa anual em que Israel lembra a saída do Egito, com cordeiro assado, pão sem fermento e a refeição feita em família.
A Páscoa judaica é a festa anual que lembra a noite em que Israel saiu do Egito. O nome hebraico, Pessach, carrega a ideia de passar por cima, e a data cai na primeira lua cheia da primavera do hemisfério norte. O cardápio é parte do rito: cordeiro assado, pão feito sem fermento por falta de tempo de crescer, ervas amargas. Come-se em casa, por família, e a mesa é montada para que alguém pergunte o motivo de tudo aquilo.
Onde aparece na Bíblia
A primeira instrução tem pressa dentro dela. Ainda no Egito, a ordem é comer "cingidos vossos lombos, vossos calçados em vossos pés, e vosso bordão em vossa mão; e o comereis apressadamente: é a Páscoa do SENHOR" (Êxodo 12:11). Sandália no pé e bordão na mão, de pé, prontos para sair. Ninguém janta assim por gosto.
O sinal ficava do lado de fora: "E o sangue vos será por sinal nas casas onde vós estejais; e verei o sangue, e passarei de vós" (Êxodo 12:13). O sangue do cordeiro no batente é a imagem que dá nome à festa.
Mil e tantos anos depois, a mesma refeição aparece num quarto emprestado em Jerusalém. Lucas registra a frase de Jesus ao se sentar: "Muito desejei comer convosco esta páscoa, antes que eu sofra" (Lucas 22:15). Era Páscoa judaica, com o calendário judaico, na cidade cheia de peregrinos.
Paulo, escrevendo a uma igreja em Corinto, faz a ligação que a tradição cristã herdou: "Cristo, nosso cordeiro da páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Coríntios 5:7). É a leitura de um judeu que virou apóstolo, feita em carta, e não um decreto sobre a festa dos judeus, que segue sendo celebrada até hoje.
Por que isso importa hoje
O método da Páscoa é raro: em vez de sermão, uma refeição desenhada para provocar a pergunta de uma criança. Come-se apressado, com o sapato no pé, para lembrar que a liberdade veio de madrugada e sem tempo para arrumar as coisas. É uma memória de povo, não de indivíduo — e é essa a parte que mais se perdeu no uso brasileiro da palavra, onde Páscoa virou chocolate e feriado de quatro dias.
Não confunda
Páscoa judaica e Páscoa cristã: a judaica lembra a saída do Egito, com cordeiro e pão sem fermento, no calendário lunar judaico. A cristã celebra a ressurreição de Jesus, num domingo. As datas passam perto porque os fatos narrados nos Evangelhos acontecem durante a festa judaica, mas são duas celebrações, com dois assuntos.
Páscoa e Pães sem Fermento: eram festas vizinhas, uma de um dia e outra de sete, tão coladas no calendário que na fala comum viraram uma só.