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Glossário·Objetos e símbolos

Incenso

Incenso era a mistura de resinas aromáticas queimada no santuário de Israel, feita por receita fechada e reservada apenas ao culto.

Incenso, no vocabulário do santuário, não é vareta perfumada. É resina: goma seca extraída de arbustos, quebrada e moída até virar pó, misturada em pesos iguais e jogada sobre brasa. Não tem chama própria, precisa de carvão aceso embaixo. Queima com fumaça branca e densa, de cheiro balsâmico e amargo, do tipo que fica na roupa por horas. A mistura do tabernáculo tinha fórmula fixa, e havia proibição expressa de reproduzi-la para uso pessoal. Perfumar a própria casa com aquela receita estava fora de questão.

Onde aparece na Bíblia

A fórmula é dada como manipulação de farmácia: "Toma para ti aromas, resina de estoraque e um material odorífero e gálbano aromático e incenso limpo; de tudo em igual peso" (Êxodo 30:34). Pesos iguais, moído fino, guardado dentro da tenda. O texto trata o pó como coisa separada do uso comum, e é dessa separação que a palavra santo fala ali.

No dia mais restrito do calendário, o incenso tem função quase física: "E porá o incenso sobre o fogo diante do SENHOR, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatório que está sobre o testemunho, e não morrerá" (Levítico 16:13). A fumaça entra na cena como cobertura, não como aroma agradável.

A ligação com oração é antiga e explícita: "Apresente-se minha oração como incenso diante de ti; e o levantar de minhas mãos como a oferta do anoitecer" (Salmos 141:2).

E há a cena que abre o Evangelho de Lucas. Um sacerdote velho é sorteado para a tarefa: "conforme o costume do sacerdócio, foi sorteado a entrar no santuário do Senhor para oferecer o incenso" (Lucas 1:9). Zacarias entra sozinho com o incensário, enquanto o povo espera do lado de fora, orando na hora do incenso.

Por que isso importa hoje

Incenso é um dos pontos em que a experiência religiosa brasileira se divide: para muita gente é o cheiro da missa da infância, para outra tanta é cheiro de coisa alheia. O texto não resolve essa divergência. Descreve um pó caro, de receita fechada, queimado por um homem sozinho num ambiente sem janela, enquanto a multidão rezava fora. O que a palavra perdeu no português é justamente a exclusividade: hoje se compra incenso em qualquer esquina, e o que era reservado virou item de prateleira.

Não confunda

Incenso e mirra são resinas diferentes, e no presente dos magos aparecem listadas separadamente. O incenso era feito para queimar. A mirra servia como perfume e entrava na preparação de corpos para sepultamento.

Incenso do santuário e incenso de loja têm pouca coisa em comum além do nome. A mistura de Êxodo 30:34 tinha componentes definidos, peso definido e uso único. O produto que se acende hoje para aromatizar um quarto não segue nem tenta seguir aquela fórmula.


Perto deste

Termos que costumam aparecer junto


Versículos sobre isso

A cena por inteiro, no blog


Quem viveu isso explica melhor

As testemunhas contam o costume por dentro — o que se fazia, por que se fazia e o que mudava quando não se fazia. Três perguntas por dia são de graça.