Glossário·Objetos e símbolos
Véu do templo
O véu do templo era a cortina bordada que separava o lugar santo do santíssimo, onde só o sumo sacerdote entrava, uma vez por ano.
O véu do templo não era um pano leve. Era uma cortina pesada de linho torcido, tingida de azul, púrpura e carmesim, com querubins bordados, pendurada em colunas para fechar o ambiente mais interno do santuário. Começou na tenda do deserto e foi refeita no templo de pedra, em Jerusalém. A função era prática antes de ser simbólica: dividir. De um lado, o lugar santo, onde sacerdotes trabalhavam todos os dias. Do outro, o santíssimo, com a arca, onde entrava um homem só, uma vez por ano, levando sangue.
Onde aparece na Bíblia
A descrição vem junto com a planta da tenda: "E farás também um véu de azul, e púrpura, e carmesim, e de linho torcido: será feito de primoroso trabalho, com querubins" (Êxodo 26:31). A instrução seguinte diz para que serve: "e aquele véu vos fará separação entre o lugar santo e o santíssimo" (Êxodo 26:33). Separação é a palavra do próprio texto, não uma leitura de fora.
Nos Evangelhos, o véu aparece uma única vez, e é para dizer que rasgou. No momento da morte de Jesus, Mateus registra: "E eis que o véu do Templo se rasgou em dois, de cima até embaixo, a terra tremeu, e as pedras se fenderam" (Mateus 27:51). Marcos conta o mesmo em uma linha. "De cima até embaixo" é um detalhe de direção: quem rasga um tecido pendurado começa de baixo, onde a mão alcança.
A carta aos Hebreus retoma a imagem para falar de acesso, e não de tecido: "pelo caminho novo e vivo que ele consagrou para nós através do véu, isto é, pela sua carne" (Hebreus 10:20).
Por que isso importa hoje
O que aquele pano organizava era distância, em graus. Havia lugar para o povo, para o sacerdote e para um homem só, um dia no ano. A regra valia até para quem trabalhava ali dentro. O texto conta que a cortina se rasgou, e conta isso no meio de uma execução pública, sem ninguém por perto para comemorar. Católicos e evangélicos leem o alcance desse rasgo de modos diferentes, e o dado bruto é o mesmo para os dois: a divisão física deixou de existir naquele instante. Fica o incômodo de a notícia chegar junto com uma morte, e não em uma cerimônia.
Não confunda
Véu do templo e véu de noiva dividem a palavra e nada mais. O do templo era peça de arquitetura, alta e espessa, feita para bloquear a vista de um ambiente inteiro.
Lugar santo e santo dos santos são os dois espaços que o véu separava. O lugar santo tinha movimento diário de sacerdotes, com o candelabro e o altar do incenso. O santíssimo, onde ficava a arca, permanecia fechado o ano inteiro.