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Glossário·Conceitos

Blasfêmia

Blasfêmia é a fala que insulta o nome de Deus ou reivindica para si o que é dele — na Lei de Israel, um crime punido com a morte.

Blasfêmia é fala. Não é pensamento, não é dúvida, não é sentimento ruim que passou pela cabeça: nos textos, é sempre algo dito em voz alta — insultar o nome de Deus, ou tomar para si aquilo que pertence a Deus. Na Lei de Israel isso não era debate religioso, era caso de tribunal, com pena capital e execução feita pela comunidade. O mesmo termo grego servia também para calúnia entre pessoas, o que explica por que ele aparece tanto na boca de acusadores.

Onde aparece na Bíblia

A Lei é seca: "E o que blasfemar o nome do SENHOR, será morto; toda a congregação o apedrejará: tanto o estrangeiro como o natural" (Levítico 24:16). A pena não distinguia origem, e quem executava era o grupo inteiro.

Foi essa a acusação no julgamento de Jesus. Marcos registra o sumo sacerdote rasgando a própria roupa e perguntando ao conselho: "Vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?" (Marcos 14:64). Na mesma cena, "todos o condenaram como culpado de morte". Era a acusação capaz de sustentar uma pena de morte por motivo religioso.

E há a frase que faz gente procurar essa palavra de madrugada: "todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos seres humanos; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada" (Mateus 12:31). O versículo seguinte fecha o contraste: "qualquer um que falar palavra contra o Filho do homem lhe será perdoado; mas qualquer um que falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado" (Mateus 12:32). A frase é dita dentro de uma discussão específica, respondendo a quem atribuía ao demônio o que Jesus fazia.

Por que isso importa hoje

Quem digita "blasfêmia" às três da manhã quase nunca quer uma definição. Então o mais honesto é dizer o que há e o que não há. Mateus fala de uma fala contra o Espírito Santo, em contexto de acusação deliberada, sem lista de exemplos nem critério para reconhecer o caso. As tradições cristãs leem esse trecho de modos bem diferentes — o que exatamente está descrito, e quem estaria em questão — e este verbete não dá veredito sobre ninguém. O que também está registrado é o que Paulo escreve sobre si mesmo: "Antes eu era um blasfemo, perseguidor, e opressor; porém recebi misericórdia" (1 Timóteo 1:13). Ele usa a palavra em primeira pessoa, no passado, e o que vem depois dela é misericórdia.

Não confunda

Blasfêmia e palavrão viraram a mesma coisa no português falado e não são. Praguejar é hábito de linguagem. Blasfêmia, no texto, é uma afirmação sobre Deus feita por quem sabe o que está dizendo — e, em Atos, aparece como acusação comprada de testemunhas subornadas.

Blasfêmia e apostasia se separam pelo verbo: blasfêmia é dizer, apostasia é sair.


Perto deste

Termos que costumam aparecer junto


Versículos sobre isso

A cena por inteiro, no blog


Quem viveu isso explica melhor

As testemunhas contam o costume por dentro — o que se fazia, por que se fazia e o que mudava quando não se fazia. Três perguntas por dia são de graça.